domingo, 25 de maio de 2008

e quando você menos espera...

O barulho era grande, mas a conversa não era tão interessante assim. Para não morrer de tédio, olhava ao redor das mesas a procura de, quem sabe, uma mesa vazia ou, até, alguém interessante. Começo de semestre, os bares ao redor das universidades sempre estão lotados.

Durante seu passeio com os olhos, eis que um olhar lhe pára. Logo atrás do bêbado sem camisa entornando uma garrafa de 600ml, estava ele. Nossa! Quanto tempo que não se viam, apesar de não parecer tanto tempo assim para ela. Tinha a impressão de tê-lo visto em algum lugar, mas onde? Os pensamentos vinham rápido enquanto sorriam e acenavam um para o outro. Estaria ele com o descamisado? Acompanhou-o discretamente com o olhar e viu onde sentara, o descamisado nao foi junto, ainda bem.

Finalmente, alguém interessante! Continuou a beber sua cerveja, agora com outro sabor, um sabor de "olha as coisas melhorando", um sabor de "é, quem sabe...ou não...". De repente, lembrou-se. Sonhou com ele outra noite. Mas o quê? Nao conseguia lembrar mais. E por que diabos sonharia com alguém que não via, nem ouvia falar há tanto tempo? Tudo bem...o inconsciente é ilógico, mas ele não tira coisas do baú do nada, a não ser que algo aconteça. Inconsciente coletivo? Talvez...Premonição? Quem sabe...

Mas, a parte dos devaneios a cerca de onde o havia visto, resolveu ir até onde ele estava. Ao abordá-lo foi direta, característica que muitas vezes ocultava. Ele sorriu, beijando-lhe o rosto. Entre cumprimentos de pessoas que nao se viam há tempos, ela solta a pergunta que lhe interessava, sem nem pensar que a resposta poderia ser ruim para ela ou mostrar-se oferecida. Impulsiva, isso era característica permanente.

A pergunta que poderia acanhar-lhe talvez fosse a mesma que ele gostaria de fazer-lhe, portanto, a resposta foi positiva para ambos, mas mudaram de assunto, talvez para disfarçar o real interesse. Chamou-a para sentar e ela sentou. Naquele momento, esqueceu que tinha amigos lá, apenas ficou conversando com ele e com o amigo sobre qualquer assunto que surgisse...


(10/04/08, 14/04/08)

sábado, 24 de maio de 2008

lágrimas em um brigadeiro queimado...

Com uma taça de vinho na mão, perambulava pela casa como quem procura algo. Há tempos não se sentia como naquela noite. Procurava algo para comer, algo que preenchesse a falta que ela sentia. A falta que não compreendia, que não entedia, que a fazia chorar do nada, que a fazia intolerável com tudo.

Colocando o leite condensado com nescau no microondas, lembrou-se do primeiro sábado em que fizeram brigadeiro juntos. Primeira vez na casa dele, não podia deixar tudo sujo e a sua vontade de comer brigadeiro era imensa. Fizeram juntos, para assistirem ao filme depois, ele comprometeu-se de lavar a louça e assim não haveria problema para ela.

O “piiiiiiiiiiii” do microondas interrompeu seus pensamentos, mas não a tempo de não queimar o brigadeiro. Naquela noite não houve brigadeiro queimado, só amor, carinho e felicidade. Felicidade de um casal que muitas vezes não a compartilhava...

Uma lágrima rolou-lhe pelo rosto. Não sabia o que aquela lágrima significava. Não sabia do que sentia falta ou o que lhe fazia sofrer. Aquela noite já fazia tanto tempo agora. E não fazia mais nenhum sentido agora. Era passado. Algo bom, mas que não existia mais, não existia há muito tempo.

Com toda a auto-piedade existente nesses casos, assistia a uma comédia romântica e uma fala a fazia sentir-se ainda pior. “Se os homens não deixam todas as mulheres, então eles deixam a mim”. Sentia-se assim. Queria não pensar dessa forma, mas era impossível para ela. Pensava se, como no filme, encontraria alguém que gostasse dela como ela realmente era e que estaria, na maioria das vezes, presente na vida dela.

Gosto de pensar que a vida poderia ser uma comédia romântica e que conseguiria, um dia, seu tão sonhado “final feliz”, por mais distante que ele possa parecer...